domingo, 6 de fevereiro de 2011

Os Antecedentes da Segunda Guerra Mundial

O século XX começou com a esperança de novos tempos, após uma séria crise financeira na Europa o capitalismo dava sinais de franca recuperação, levando muitos a acreditar que o mundo vivia a “Bela Época”. Esse momento de ouro do capitalismo e de grande efervescência cultural na Europa , escondia uma corrida armamentista entre os impérios coloniais , a disputa acirrada por mercado consumidor , levou o velho continente a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) , a chamada “Grande Guerra” , na visão de Estadistas foi necessária para por fim a todas as possíveis futuras guerras.A lógica de travar uma guerra , para acabar com as desavenças entre as nações imperialistas se demonstrou um grave erro,anos depois a humanidade estaria exposta a um conflito infinitamente mais trágico e destruidor.
O tratado de Versalhes, documento que sacramentou o fim da Primeira guerra mundial, impôs pesadas medidas para com a Alemanha derrotada, o texto foi marcado pelo revanchismo Francês que se utilizou das cláusulas do tratado com vistas a acabar definitivamente com o rival histórico. A Alemanha foi considerada a única responsável pela guerra , portanto teve que arcar com pesadas indenizações , perdeu áreas territoriais na Europa e nas suas colônias Africanas.
O Tratado de Versalhes não perdoou sequer o exército Alemão, motivos de orgulho em outrora, os efetivos foram reduzidos a meros 100 mil soldados, as armas pesadas de infantaria foram confiscadas ou destruídas, em suma podemos dizer que toda estrutura militar alemã foi desarticulada. As humilhações impostas a Alemanha ajudou a manter o orgulho germânico ainda mais aflorado nos anos pós guerra , alguns historiadores apontam as pesadas sanções a Alemanha como o estopim da segunda guerra mundial , o documento abriu feridas que não cicatrizaram a tempo de evitar que as palavras eloqüentes de um mero da Cabo desemboca – se,em uma nova guerra.
As ascensões do Fascismo na Itália e do Nazismo na Alemanha estão diretamente ligados ao cenário de crise econômica e social do pós primeira guerra, Mussolini e Hitler souberam explorar de forma hábil, os elevados índices de desemprego e a paranóia comunista que se instaurou em ambos os países como forma de superar a crise, serviram de plataforma de ascensão política de ambos que contaram com o amplo apoio da burguesia que esperava a contenção da onda vermelha que tomava conta da Europa.
O discurso radical e nacionalista ganhou as mentes daqueles que esperavam os vingadores da humilhação sofrida na guerra, Mussolini e Hitler, conseguiram apoio popular para projetos imperialistas muito em razão do cenário de crise econômica que ganha força em 1929 com a queda da bolsa de valores de Nova York. Se a crise atingiu em cheio as democracias liberais que saíram vitoriosas da primeira guerra , tente imaginar o que ela causou em países fragilizados e que tentavam se recuperar dos prejuízos do primeiro conflito mundial.
O Nazifascismo crescia a passos largos e ganhava simpatizantes pela Europa, o cheiro de uma nova guerra estava no ar e o ensaio foi à chamada guerra civil Espanhola (1936-1939), o conflito opôs franquistas/fascistas e socialistas/republicanos, Hitler enviou sua recém criada força aérea para ajudar Francisco Franco. O episódio mais emblemático dessa guerra foi o bombardeio a cidade Basca de Guernica matando milhares de civis inocentes , as armas de Hitler haviam passado no teste .
Enquanto Hitler dava claros sinais de que o tratado de Versalhes não servia para mais nada e que desde a sua ascensão ao poder ele claramente rompia com as cláusulas, transformando a Alemanha numa máquina de guerra, seus vizinhos de continente nada faziam para barrar seus avanços em uma política apaziguadora que se demonstrou catastrófica. Inglaterra e França não fizeram nada para deter as aspirações de Hitler , acreditaram em suas boas intenções de não mais invadir países da Europa, na conferência de Munique intermediada por Mussolini,o líder nazista deu sua palavra que não causaria uma nova guerra .A inércia e a inocência de Ingleses e franceses deram o tempo necessário para Hitler se preparar melhor e por em ação a sua “Guerra Relâmpago” , que tomaria de assalto grande parte da Europa no início da Guerra.
O passo final no plano de dar início a uma guerra foi à assinatura de um tratado de Não-agressão entre a Alemanha Nazista de Hitler e a União soviética de Stalin no dia 23 de agosto de 1939, o acordo ainda previa a divisão da Polônia entre ambas as nações. Com tal acordo Hitler pretendia manter a URSS longe da guerra que ele pretendia começar no ocidente , evitando assim duas frentes de combate.Na verdade sua real intenção era vencer a guerra contra seus rivais ocidentais (Inglaterra e França) para posteriormente se voltar para uma invasão do território soviético .
No dia 1 de setembro de 1939, as divisões Panzer dão início à invasão da Polônia, que mesmo resistindo bravamente não foi capaz de deter o ímpeto das divisões mecanizadas dos nazistas. Com a recusa de Hitler em acatar o ultimato Francês de desocupar a Polônia temos o estopim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) , conflito que matou mais de 50 milhões de pessoas.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Primeiro Reinado (1822-1831)

Para consolidar a posição do Brasil como nação soberana D. Pedro I tratou de conseguir reconhecimento internacional a cerca da nossa independência, apesar da demora e dos gastos promovidos para atingir o objetivo final, podemos dizer que o monarca soube articular e defender com muita diplomacia os nossos interesses. A primeira nação a nos reconhecer como tal foram os Estados unidos da América, baseados nos princípios da Doutrina Monroe os Norte-Americanos buscavam a não interferência européia nos assuntos do continente, para tanto era necessário apoiar a emancipação das antigas colônias que assim como eles tiveram êxito ao se libertar das antigas metrópoles. A Inglaterra que mantinha vários negócios no comércio Brasileiro também tinha grande interesse no nosso reconhecimento enquanto, sob pressão britânica, Portugal acaba por se render a nossa independência em troca de uma indenização de dois milhões de libras Esterlinas e um título mesmo que simbólico de Imperador do Brasil para o Rei D. João VI. Em janeiro de 1826 após garantir uma série de interesses a Inglaterra reconhece o Brasil como nação Livre e soberana com a garantia que as taxas de 15% pagas como forma de imposto alfandegário fossem mantidas por mais 15 anos. Além de garantir tais vantagens de ordem comercial os Britânicos arrancaram de D. Pedro I a vaga promessa de um dia abolir o tráfico internacional de escravos. Simultaneamente ao trabalho de angariar o apoio internacional para o reconhecimento da nossa independência o imperador tinha que se preocupar em criar novas leis responsáveis por organizar esse novo estado nacional autônomo. Em 1823, D. Pedro I convoca uma assembléia nacional constituinte com vias de elaborar uma nova constituição para o Brasil, foram meses de trabalho tumultuado em virtude das pretensões absolutistas do monarca que não cogitava a hipótese de ter o seu poder diminuído assim como aconteceu com seu pai em Portugal após a revolução liberal do Porto. O resultado final do documento materializou todos os receios do imperador, pois no texto de influência liberal como a revolução do porto, os políticos brasileiros tentavam diminuir a esfera de ação e de poder do Monarca Brasileiro. Na madrugada do dia 12 para 13 de novembro D. Pedro I em acesso de fúria da ordem para fechar a assembléia e botar na cadeia todos os idealizadores de tal constituição, em um episódio que entrou para história com nome de “Noite da Agonia”. Ficou claro que o casamento entre o monarca e a elite agrária Brasileira estava em vias de acabar, pois no ano seguinte em 1824 o imperador impõe uma constituição elaborada por seus aliados e que dentre suas características principais concederam plenos poderes a D. Pedro I através do poder moderador e centralizou todas as esferas políticas em suas mãos. Além de centralizadora a chamada constituição da Mandioca instituía critérios censitários para a escolha dos eleitores, a única coisa que agradou a elite foi à manutenção da mão de obra escrava, mesmo em desacordo nem mesmo o monarca teria coragem para alterar a estrutura conservadora que a muito reinava nas relações econômicas e sociais no Brasil. A vida de d. Pedro I a frente do estado nacional Brasileiro não estava nada fácil, aos poucos a enorme popularidade alcançada por ele no momento da independência começava a esfriar diante de medidas autoritárias, na visão de algumas camadas do povo o sangue Português falava alto nas decisões do monarca. No nordeste Brasileiro o imperador se vê diante de um grande levante armado que tomou conta de toda região partindo da província de Pernambuco. A Chamada confederação do Equador arregimentou apoio popular em uma causa separatista e republicana, o povo nordestino não aceitava as arbitrariedades impostas pelo poder moderador instituídas pelo monarca na constituição de 1824, a miséria da região também foi forte argumento motivador da revolta. A revolta que teve origem em terras pernambucanas, reduto de liberalismo radical e que não aceitava imposições do pode central, contou com apoio das províncias da Paraíba, Ceará e Rio grande do Norte. Dentre os líderes estavam Cipriano barata, Frei caneca Padre Gonçalves Mororó e Manuel de carvalho pais de Andrade, homens influentes que abraçaram a causa nativista dessa região que a muito sonhava com autonomia. O imperador D. Pedro I não teve clemência na hora de reprimir a revolta, contando novamente com apoio logístico da Inglaterra ele ordena que seus soldados lutem até a rendição incondicional dos revoltosos, grande parte dos líderes foram executados. Um forte sentimento antilusitano foi despertado em razão da repressão empreendida por tropas legalistas, e a execução de Frei Caneca importante liderança da confederação do Equador causou forte clamor popular, as acusações de mandar assassinar brasileiros pesavam na conta do imperador que via sua antiga popularidade se esvair pelas mãos. Em meio a tantos problemas políticos e econômicos o império Brasileiro sofreu com mais uma medida intempestiva do Imperador, a cisplatina área que foi incorporada ao território na época de D. João VI no Rio de Janeiro deu inicio a um processo de independência no ano de 1825, a Argentina se envolveu na questão sonhando em anexar o território após a separação em relação ao Brasil. Qualquer líder ciente das mazelas sofridas pelo seu povo e da crise econômica reinante evitaria com todas as forças envolver sua nação em uma guerra, não foi o caso de D. Pedro I, seu ego levou o Brasil a uma guerra que não contava com apoio da população e que onerou ainda mais as finanças da nação. Para combater a Argentina que auxilia o processo de emancipação da cisplatina o monarca Brasileiro contraiu novos impostos com a Inglaterra e recrutou soldados para combater na região de fronteira de forma compulsória. O povo não apoiava a guerra por questões óbvias, o Brasil estava em crise financeira, para muitos se envolver nessa disputa era gastar dinheiro público a esmo. Outro fator que justificava a impopularidade da guerra era a questão cultural, a região da cisplatina atual Uruguai tinha características lingüísticas e físicas que diferenciavam sua população do restante dos habitantes do império, os brasileiros não entendiam o porquê de lutar e arriscar milhares de vidas para manter uma área que pretendia se libertar e possivelmente se anexar com a Argentina. As vozes do povo não foram ouvidas e d. Pedro I se manteve intransigente na luta pela manutenção da Cisplatina, depois de três longos anos de combate e com algumas vitórias insignificantes a Guerra criava problemas sérios para os cofres Brasileiros e atingia interesses Britânicos na região. Por pressão Inglesa o conflito teve fim com a independência da cisplatina que passou a se chamar República do Uruguai, depois de tanto dinheiro e vidas perdidas o Brasil perde a região e D. Pedro I vê o que sobrava de sua aprovação popular desaparecer como fumaça. Os críticos diziam que sua teimosia levou o Império Brasileiro a uma crise financeira ainda maior e a vergonha de perder uma Guerra que não precisava ter se envolvido, a vida do monarca a frente do poder não andava nada fácil. Em 1826 morre em Portugal o Rei D. João VI, a corte Portuguesa aclamou D. Pedro como Herdeiro do trono, a idéia de aceitar o poder lusitano vai despertar a ira do povo em relação ao monarca, a chamada questão sucessória do trono Português mostrou mais uma vez a inabilidade política do imperador Brasileiro. A simples hipótese de aceitar o trono Português ressuscitou o medo da colonização do Brasil, quando a imprensa o atacou por todos os lados o mesmo volta atrás da decisão e abdica ao trono em nome da filha D. Maria da Glória. A menor idade da menina a impedia de governar, nesse caso D. Pedro I indicou seu irmão D. Miguel como regente até a maioridade da menina. D. Miguel se aproveitando da ausência física do irmão se apodera do trono Português, o erro Político de D. Pedro I foi usar dinheiro dos cofres Brasileiros para disputar o Trono Português. A saúde financeira do Império era questão de preocupação generalizada em grande parte do Primeiro reinado (1822-1831) as importações do Brasil muitas vezes superavam o número de exportação, contribuindo para deixar a nossa balança comercial desfavorável. Indenizações na época da independência, a compra de Armas para reprimir as províncias descontentes com a emancipação, a contratação de mercenários estrangeiros que trabalhavam na repressão de revoltas internas, gastos na guerra da Cisplatina, vantagens comerciais para os Britânicos são os fatores que em conjunto ajudaram a afundar com a economia Brasileira durante o Reinado de D. Pedro I. O leitor deve ter percebido que o País era uma bomba relógio prestes a explodir e para grande maioria dos Brasileiros o grande culpado era fácil de apontar, o monarca que outrora era aclamado como herói por libertar a nação, agora era visto como o único responsável pelas mazelas sofridas pelo povo. Nesse clima de animosidade e impopularidade o imperador saiu em viagem oficial por várias cidades, o objetivo era melhorar a imagem abalada pelos erros e enganos administrativos a frente do Estado nacional brasileiro. Para surpresa do próprio monarca por onde passou não recebeu a hospitalidade digna de um líder nacional, foi vaiado e hostilizado na maioria dos locais em que visitou, a província de minas gerais tratou a caravana imperial com desdém e muita família tradicional se quer receberam em suas residências o imperador, desolado D. Pedro I retorna ao rio de Janeiro e a sua chegada causaria uma nova confusão, o ano era 1831 e o seu reinado estava com os dias contados. Um grupo de portugueses que residiam na cidade carioca organizou uma festa para recepcionar o Imperador, mesas foram montadas com guloseimas e vinhos portugueses, mas os Brasileiros quando descobriram o motivo da festividade se revoltaram e deram início a um conflito generalizado que aos poucos tomou várias regiões centrais do Rio de Janeiro. Era 13 de março de 1831, esse conflito entre Portugueses pró D. Pedro I e brasileiros contrários a ele entraram para a história com o nome de “Noite das garrafadas”. Depois desse conflito urbano entre facções portuguesas e brasileiras D. Pedro I percebeu que sua permanência no poder era insustentável, a solução era deixar o poder e voltar para a Europa e recuperar o trono português que havia sido usurpado por seu Irmão D. Miguel. Com a garantia de que o trono Brasileiro seria entregue a seu filho quando o mesmo tivesse idade pra isso ele abdica ao Trono em nome de Herdeiro D. Pedro II. Era 7 de abril de 1831, o monarca embarca para Portugal depois de viver no Brasil por 23 anos, a nação que no passado comemorou a independência liderada por ele, agora dava viva a sua abdicação. Em Portugal ele liderou as tropas que combatiam os chamados Miguelistas, grupo que apoiava a permanência do absolutismo liderado por D. Miguel, depois de alguns anos de luta ele recupera o trono Português em nome de sua Filha Maria da glória. A glória para D. Pedro foi momentânea, pois ele não pode desfrutar dos benefícios da vitória em virtude de sua morte precoce vítima de tuberculose no dia 24 de setembro de 1831, aos 36 anos de idade. O grande legado de D. Pedro para o Brasil foi muito além da independência que ele esteve à frente, a sua maior contribuição foi manter a unidade territorial, impedindo que o país se esfacelasse em múltiplas micro nações como ocorreu com os vizinhos da América latina. Uma vida recheada de escândalos pessoais, uma vida privada que em muito ajudava a desgastar a sua imagem, somados a um forte autoritarismo imposto por ele onde o poder moderador dava ares de absolutismo clássico ao governo Brasileiro foram os fatores que mais contribuíram para sua queda. A abdicação abriu espaço para uma nova onda de violência e crise política, no momento que D. Pedro I abre mão do trono Brasileiro seu filho tinha 5 anos de idade, sua posse naquele instante era ilegal, até a sua maioridade o Brasil seria governado por um conjunto de políticos.

sábado, 8 de janeiro de 2011

A Guerra do Paraguai (1864 - 1870)

A guerra do Paraguai foi o maior conflito armado já travado em solo latino americano, o número de soldados mortos chega à cifra de 300 mil, valor superado no continente, apenas pela guerra de secessão nos Estados unidos, onde o conflito entre o norte e o sul daquele País matou cerca de 620 mil pessoas. Como entender os motivos que levaram a tamanha carnificina é tarefa difícil, a historiografia oficial de cada nação envolvida na guerra tenta aliviar o fardo da matança generalizada buscando fatos e argumentos que possam explicar o que levou o Paraguai, O Brasil, O Uruguai e a Argentina a se envolverem em uma luta tão longa e de tamanhos prejuízos. Até a década de 1980 a historiografia de cunho marxista colocava o Paraguai na posição de vítima, os textos a cerca da guerra diziam que o modelo de autonomia financeira, a introdução de indústrias de base e o baixo índice de analfabetos incomodavam os interesses britânicos no continente. O Paraguai era visto como um perigo para os interesses do imperialismo Inglês, um exemplo que não podia se disseminar, a exaltação chegou ao exagero de colocar o modelo paraguaio como exemplo de potência latino- americana. Com certeza essa análise está bem distante da verdade o Paraguai não era esse paraíso pintado pela teoria de esquerda, tinha bons exemplos de educação e de reforma agrária que deram certo, mas longe de achar que o nosso vizinho de fronteira desfrutava de uma situação de autonomia plena. É mais fácil enquadrar a guerra do Paraguai no cenário de disputa de ordem política e econômica que a muito reinava nas fronteiras latinas, o Brasil impondo suas vontades, chegando a manipular a seu bel prazer o Uruguai e a Argentina que sonhava com a anexação das terras Paraguaias. A navegação na região da Bacia da Prata e as pretensões expansionistas do Presidente – Ditador Francisco Solano Lopez, também entra na lista dos possíveis fatores que ajudaram a criar o estado beligerante entre os países citados. O clima de guerra começou a se formar com o ato inesperado do presidente paraguaio Francisco Solano Lopez de mandar aprisionar o navio Brasileiro “Marquês de Olinda”, com autoridades importantes a bordo, inclusive o presidente da província Do mato grosso, o político Frederico carneiro de campos. As relações diplomáticas foram cortadas, o seqüestro do navio foi uma afronta que criou intensos debates no império em relação à postura a ser tomada pelo Brasil após o incidente. Não deu tempo de o Brasil pensar em declarar um estado de guerra porque o Paraguai se adiantou, sob as ordens de Lopez o exército Paraguaio invade a província do mato grosso no dia 13 de dezembro de 1864. O presidente paraguaio usou de justificativa para tal ato de agressão as constantes intervenções do estado brasileiro no Uruguai , além da tese de que a região do Mato grosso é uma área de litígio ,cabendo ao Paraguai a chance de reivindicar e disputar a posse da região.Estava iniciada a guerra , a invasão relâmpago das tropas paraguaias pegou os Brasileiros de surpresa , há muito tempo nosso vizinho se preparava para essa invasão , Solano Lopez desde que assumiu o poder no lugar de seu pai vinha preparando o Paraguai para uma possível guerra , técnicos estrangeiros trabalhavam no país produzindo armas e o seu exército era o único permanente e realmente treinado para lutar.Alguns historiadores dizem que o exército de Solano López contava com 90 mil soldados se incluirmos os da reserva , com armas novas e modernas.No dia 29 de março de 1865 ,foi à vez de a Argentina ser arrastada para a guerra com a invasão do seu território por tropas paraguaias , a província de corrientes foi o novo alvo na política expansionista do presidente paraguaio.o território Uruguaio também estava na lista de pretensões do Paraguai,a invasão de corrientes na Argentina era uma abertura de caminho para tal objetivo.A incapacidade do Brasil, da Argentina e Uruguai em deter o “ditador” paraguaio levou os mesmos a se unir contra o inimigo comum.Em maio de 1865 é criada a tríplice aliança , acordo militar que envolvia a Argentina do presidente Bartolomeu mitre , o Uruguai de Venâncio Flores e o Império do Brasil de d. Pedro II,o comando supremo das forças no início ficou a cabo do presidente Argentino.Despreparado e desorganizado o exército aliado não conseguia reunir forças para expulsar o Paraguai que no instante inicial da guerra ocupava solidamente vários territórios que pertenciam aos países tríplice aliança. A primeira grande vitória dos aliados se deu em junho de 1865 na lendária batalha naval de Riachuelo onde o Brasil destruiu parte da frota paraguaia. A guerra parecia estática, Solano Lopez foi competente ao criar um cinturão de defesa que protegia o seu país, uma linha tão sólida que até meados de 1866 a tríplice aliança parecia não um caminho capaz de levá-los a vitória final. A virada na guerra se deu com a chegada de Luís Alves de lima e silva, o Marquês de Caxias recebeu a incumbência de assumir o comando supremo das operações da tríplice aliança, a sua habilidade militar e a imensa capacidade de organização foi de fundamental importância na estruturação das tropas e na posterior vitória dos aliados. O dia 28 de julho de 1868 as tropas sob seu comando vencem a batalha de Humaitá, caia por terra a principal linha de defesa dos paraguaios. A capital assunção caiu nas mãos de Caxias no dia 1 de janeiro de 1869, com o trabalho realizado e a sensação de dever cumprido o mesmo de afasta da frente de combate entregando o comando ao genro de d. Pedro II, O conde D´eu. Restava ainda a tarefa de vencer os últimos focos de luta , e capturar o grande causador do conflito na visão dos aliados – o presidente Francisco Solano López.Não foram poucos os casos de abuso e sadismo sob a liderança do genro de d. Pedro II , o Paraguai ficou totalmente destruído e milhares de jovens e idosos não foram poupados da íra do conde D´eu.Solano López tentou se refugiar na região das cordilheiras em cerro León , mas com a derrota das suas últimas tropas na batalha de CERRO CORÁ , não tinha mais como se esconder .O presidente – ditador do Paraguai terminou seus dias de glória com uma lança que transpassou seu corpo , ela teria sido atirada pelo cabo do exército brasileiro conhecido por “Chico Diabo” , mas um tiro foi o golpe de misericórdia de sua vida atribulada.A guerra do Paraguai teve um saldo negativo para todos os envolvidos , inclusive para os vitoriosos da tríplice aliança.O Paraguai segundo a maioria das fontes teria perdido cerca de 70% de sua população economicamente ativa,sua indústria que outrora era motivo de orgulho estava ao final da guerra completamente destruída,suas perdas matérias e humanas foram tão grandes que ainda hoje elas são utilizadas no País para explicar a origem de sua pobreza.No esforço de guerra para vencer o Paraguai os países da tríplice aliança acumularam dívidas volumosas com uma série de bancos londrinos ,a dívida brasileira se sobressaia, os gastos no conflito atingiram o dobro da receita do império. Para o imperador d. Pedro II a guerra do Paraguai foi o inicio da crise que levou a sua monarquia ao fim, o exército brasileiro voltou da frente de batalha reformulado, enquanto instituição se profissionalizou e no campo das idéias aderiu ao republicanismo e a causa abolicionista.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

História econômica do Brasil colônia( 1500 - 1808)

Quando Pedro Álvares Cabral colocou seus pés lusitanos na praia em porto seguro, daquele momento em diante o futuro do Brasil estava traçado e predestinado a exploração, a nova colônia serviu aos interesses mercantilistas da metrópole Portugal que estava na outra margem do Atlântico. No início existiu certo desinteresse de Portugal na colonização e ocupação do território Brasileiro, os motivos envolvem a aparente inexistência de metais preciosos e naquele momento o comércio de especiarias com a Índia era mais lucrativo para os lusitanos. No chamado período pré - colonial que vai de 1500 a 1530 a exploração do Brasil se baseou nas atividades predatórias e extrativistas, a agressividade de algumas tribos e a pequena população de Portugal também dificultaram um projeto mais amplo de ocupação da faixa litorânea do Brasil, parte que cabia a Portugal pelo tratado de Tordesilhas assinado com a Espanha. Nessa época a atividade financeira de maior lucratividade para a metrópole foi à extração em massa do Pau - Brasil, conhecido na Europa por Pau -de -tinta em virtude da coloração vermelha criada apartir da árvore para ser utilizada na tintura de tecidos. O vai e vém das caravelas foi constante levando milhões de toras para Portugal, a mão de obra dessa atividade foi nativa, os índios ajudaram os colonizadores muitas vezes interessados nos produtos oferecidos em troca do trabalho (Escambo). A presença constante dos Franceses no litoral do Brasil contrabandeando madeira e as ameaças de invasão por parte do rei Francisco I , levou o rei português d.João III a elaborar um projeto de colonização, as chamadas capitanias hereditárias.O litoral do Brasil foi dividido em 14 lotes de terra e entregue a 12 donatários , homens de posse da sociedade portuguesa que recebiam a terra em doação mais deveriam colonizá-la com seus próprios recursos.Com a montagem da máquina colonial e mesmo com todos os problemas apresentados em cada capitania,a grande lavoura da cana de açúcar foi introduzida no Brasil.A escolha da cana se deu em razão de vários pré - requisitos;Clima e solo favoráveis ao cultivo da cana , o açúcar era um produto de extremo valor no mercado europeu e Portugal dominava há muito tempo as técnicas de cultivo.As lavouras de cana de açúcar prosperaram principalmente no nordeste em razão do solo fértil de massapé, em todas as etapas de cultivo e de preparação do açúcar Portugal se utilizava da mão de obra escrava africana , introduzida na colônia em meados de 1530 para atender as necessidades da grande lavoura.Existem debates na historiografia brasileira sobre a questão escravista no que tange a escolha do negro Africano, a dúvida reside no fato que os vizinhos Espanhóis se utilizaram em larga escala dos nativos encontrados nas áreas colonizadas (astecas - Maias - Incas).A escolha dos negros como fonte de mão de obra no Brasil colônia se deu por conta da alta lucratividade do tráfico negreiro,essa atividade criou fortunas nos dois lados do Atlântico.Milhões de negros foram arrancados de sua terra natal ,obrigados a atravessar o atlântico em navios tumbeiros tenebrosos ,para atender a ambição de lucro intrínseca do sistema colonial.O açúcar brasileiro entrou em certa decadência apartir da segunda metade do século XVII , os Holandeses que foram expulsos do litoral nordeste da colônia passaram a cultivar o produto em outras regiões , competindo com a produção Brasileira. No final do século XVII (1690) , os bandeirantes paulistas que percorriam o território a procura de riquezas e índios para escravizar acabaram encontrando reservas de ouro e diamantes na região de Minas gerais , estava lançada uma nova corrida pela fortuna no Brasil.Por um século o ouro retirado das minas também com mão de obra escrava negra promoveu uma série de mudanças radicais na colônia,a colonização saia pela primeira vez do litoral e de forma efetiva partiu para o interior , a própria capital foi transferida de Salvado(Bahia) para o Rio de Janeiro com vistas a fiscalizar a extração e embarcar o ouro para a Metrópole. Cidades lindíssimas foram construídas a "Peso de OURO"; Vila rica, mariana, Sabará, são João Del rei e gongonhas viveram dias de esplendor por conta da exploração aurífera. Igrejas e capelas construídas sob inspiração barroca ainda hoje encantam os milhares de turistas que visitam aquela região histórica que nasceu sob o signo do ouro.Como podemos notar o Brasil se enquadrou no que se habituou chamar de colônia de exploração, produtos tropicais e muito ouro serviram para atender a acumulação primitiva de capital na metrópole Portugal, tanta riqueza só não serviu para fazer da nossa antiga metrópole uma potência econômica nos dias de hoje.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Uma breve história da idade média.

Cronologicamente dizemos que a idade média se inicia com a queda da Roma ocidental no ano 476 d.c e termina no ano 1453 d.c com a queda do império romano do oriente, quando sua capital constantinopla foi arrasada e dominada pelos Turcos otomanos.Dividida entre a queda de dois grandes impérios a idade média foi um periodo longo e de muitas variáveis,para estudar esse milênio de riqueza histórica se faz necessário uma breve divisão , entre os séculos V e XI é a alta idade média , periodo de formação e apogeu do sistema feudal e entre os séculos XI e XIV é a baixa idade média momento de crise e desagregação do sistema feudal.O feudalismo vigorou em grande parte da Europa durante a idade média , sua origem remonta a tradição do comitatus praticado pelos povos germânicos e a tradição romana do colonato , a fusão de ambas as culturas deu origem ao Feudo.O feudo era uma unidade territorial auto - suficiente , os servos lavravam a terra para o senhor feudal em troca de moradia e proteção.A vida se ruralizou e com a queda de Roma os bárbaros e muçulmanos se tornaram uma grande ameaça para quem não tinha a proteção da Nobreza.Em troca de guarida em um feudo os servos se sujeitavam a todo tipo de trabalho e pagavam vários impostos aos senhores feudais por meio de trabalho.A corvéia por exemplo obrigava os servos a trabalharem de 2 a 3 dias por semana nas terras do senhor e a talha era o imposto pago sobre a produção do servo em suas terras.A sociedade era estamental , sendo o clero católico o grupo de maior prestigio e poder,por se tratar de uma época marcada por forte sentimento de religiosidade e fanatismo a igreja católica ocupou um lugar de destaque no vazio de poder deixado pelos reis que na idade média eram figuras decorativas e de poder simbolico.A inquisição católica perseguiu , julgou e muitas vezes lançou a fogueira aqueles que ela classificava como hereges , homens e mulheres que ousaram desafiar os dogmas da igreja com ideias próprias(heresias).O ano de 1096 foi marcado pelo início das cruzadas , o papa Urbano II clamou os católicos da europa a se organizarem em expedições armadas para libertar Jerusalém que estava sobre dominio islâmico.Com promessas de perdão dos pecados e de vida eterna no paraiso a igreja convenceu e condenou a morte milhares de almas que se aventuraram nessa guerra santa contra os muçulmanos.É claro que por trás do discurso religioso e de fé existia o interesse econômico de desafogar a Europa que vivia momentos de crise, e muitos nobres que participaram das cruzadas cristãs estavam de olho nas terras que poderiam conquistar com o uso da espada.Em 1270 termina a última cruzada sem a europa conseguir a posse definitiva de jerusalém , porém o mar mediterrâneo que antes estava sob controle muçulmano foi retomado pela ação de duas cidades Italianas (Gênova e Veneza).As moedas voltam a circular e o comércio renasce com as feiras medievais , os burgos dão origem as cidades que não paravam de crescer com as novas relações de trabalho assalariado que surgia com o advento da burguesia.A crise final do sitema feudal está associada as mazelas e epidemias que se abateram sobre o mundo europeu.A peste negra ( Bulbônica) dissipou a vida de 13 milhões de pessoas , a agricultura rudimentar que ateava fogo em grandes áreas provocou uma crise de abastecimento que levou outros milhões a morte.Se não bastassem a fome e doenças, a Europa foi envolvida em uma guerra de amplas proporções entre a frança e a Inglaterra , a chamada guerra dos cem anos(1337-1453) fechou grande parte das rotas comerciais isolando a europa de centros fornecedores do oriente e ásia.O capitalismo na sua fase pós feudalismo foi chamado de mercantilismo e as monarquias nacionais aparecem para ocupar o antigo cenário de descentralização política.A idade moderna se anunciou com os "ventos" da mudança,onde a razão dos renascentitas e os questionamentos de lutero trouxeram um mundo novo que alterou as antigas estruturas feudais.

sábado, 16 de outubro de 2010

A Fuga da Família Real Portuguesa para os trópicos !!!

O Príncipe D. João e a família real desembarcaram no Rio de janeiro no dia 8 de março de 1808, pela primeira vez um Monarca Europeu é desterrado de seus domínios sendo obrigado a se refugiar em uma de suas Colônias. Contar a trajetória Imperial no Brasil partindo da chegada da Família Real seria negligenciar os antecedentes que obrigaram a dinastia de Bragança a praticar tamanho ato de sofrimento e Humilhação.Nosso ponto de partida é a Europa de Napoleão Bonaparte que no inicio do século XIX que deixou grande parte do continente de joelhos diante de seu poder.Em 1789 cansados dos abusos do clero e nobreza o terceiro estado Francês, grupo numeroso e que reunia as mais variadas classes sociais desencadearam uma revolução liberal e de caráter iluminista para abolir privilégios e limitar os poderes da monarquia Francesa que a muito oprimia a população com pesados impostos.A Queda da bastilha foi muito mais que a simples derrubada de uma prisão que simbolizava o absolutismo e o poder Real, sua tomada pela população foi um exemplo que exército nenhum seria capaz de sufocar , a liberdade era o hino cantado em todas as regiões da Europa a partir de então – A Monarquia estava com os dias contados .Napoleão Bonaparte tomou o poder em um episódio conhecido como golpe do 18 Brumário,que dissolve o diretório e instaura o consulado , o caminho estava para expandir o seu fiel exército por vales , rios e planícies da Europa “derrubando monarcas” .Napoleão se julgava o líder que propagaria os ideais de liberdade da revolução Francesa pelo velho continente.Em 1802 seu poder aumenta com o título de cônsul vitalício , mas para ele ainda parecia pouco diante de tamanhas pretensões que possuía e dois anos depois em cerimônia solene e com a presença do Papa Pio VII, Bonaparte é aclamado Imperador da França. Para um homem que se julgava um mensageiro da liberdade até que a coroa que ele tomou das mãos do Papa lhe caiu muito Bem. Com poderes ilimitados ele da inicio ao seu projeto de dominar os territórios ocupados por dinastias absolutistas que a muito reinavam triunfantes sobre a Europa. Nas campanhas militares do exército francês os territórios que pertenciam a Áustria, Prússia e Rússia caíram com relativa facilidade nas mãos do Império napoleônico, mas a Inglaterra se mantinha firme e inatingível mesmo diante de um inimigo tão poderoso. Sua condição insular e sua Marinha poderosa comanda pelo almirante Nelson forneciam a Grã Bretanha uma tranqüilidade de não combater dentro de seu território.Napoleão viu sua frota naval ser praticamente destruída pela marinha Britânica na Batalha de trafalgar em 1805 , mesmo contando com ajuda Espanhola a marinha Francesa não foi capaz de vencer as manobras geniais do almirante Nelson na costa Espanhola e no canal da mancha.Na tentativa de minar a resistência Inglesa para uma nova investida no futuro,Napoleão institui o Bloqueio Continental em 1806,o decreto proibia todas as nações da Europa de estabelecerem relações comerciais com a Grã Bretanha.Os países do velho continente estavam proibidos de comprar manufaturados ou vender matérias primas para o império britânico, a nação que ousasse não cumprir as determinações impostas por Bonaparte estariam sujeitas a represálias militares do poderoso exército francês.É nesse contexto de França e Inglaterra disputando a hegemonia política e econômica na Europa, que Portugal um reino pequeno e até então neutro, se vê encurralado pela antiga aliança com os Ingleses e sob as ameaças de invasão de Napoleão Bonaparte caso os lusos não aderissem ao bloqueio continental.O Reino Português corria sério risco de sumir do mapa, e o homem encarregado de salvar a monarquia Portuguesa e tudo que ela representava era o Príncipe regente D. João VI.O Monarca Português nasceu no dia 13 de maio de 1767 , no palácio real da Ajuda em uma região próxima a Lisboa.Era o segundo Filho do Rei Dom Pedro III e Dona Maria Isabel de Bragança, que com a morte do marido e posteriormente do filho D. José em 1788, ela passou a utilizar título de Dona Maria I. D.João VI era o segundo na linha de sucessão e com a morte do primogênito ele se transformou em herdeiro direto do trono Português, episódio que não demorou em razão da insanidade crescente da rainha. Ele toma posse do trono em 10 de fevereiro de 1792 e no ano de 1799 é aclamado como Príncipe regente .O príncipe regente era uma homem discreto , extremamente religioso e segundo contemporâneos era uma político limitado por crises constantes de indecisão , defeito perigoso para um monarca que vivia rodeado por uma corte dividida entre partidários da França de Napoleão e fieis seguidores da monarquia parlamentar inglesa.Se já não bastassem os problemas políticos a resolver o príncipe se via envolto em escândalos familiares proporcionados por uma mãe com problemas mentais e um casamento infeliz e problemático com a Infanta Espanhola Dona Carlota Joaquina, que estava sempre envolvida em conspirações e especulações de adultério.A esse Homem coube a tarefa de decidir os rumos da monarquia portuguesa.O Príncipe D. João VI tinha três soluções aparentes e todas pareciam desfavoráveis a ele , sua primeira opção era ceder as vontades de Napoleão e aderir ao Bloqueio continental e assim afastar uma possível invasão .Porém tal medida romperia tratados e alianças comerciais e militares do Portugueses com a Inglaterra ,opção no mínimo perigosa,era trocar um inimigo perigoso por outro de poder semelhante.A segunda alternativa era ficar em Portugal e resistir a invasão do exército francês , parecia uma solução Honrosa e o certo a se fazer , mas como todos sabiam tal ato era uma declaração de destruição de Portugal e da Monarquia de Bragança.A Terceira via era fugir com toda a família real Portuguesa para o Brasil e deixar a luta a cargo da Inglaterra ,essa tese era defendida por Londres como a melhor saída naquele cenário.A Ideia de transferir a corte para o Brasil não era nova , em momentos anteriores da História Portuguesa políticos e homens influentes como o padre Antônio Vieira Já cogitavam a transferência do poder metropolitano para o Brasil. Nesse cenário de guerras Napoleônicas e de invasão da península Ibérica o principal articulador da idéia de transferir a corte portuguesa foi o embaixador D. Rodrigo de Souza Coutinho, conde de Linhares. Suas ideias de construção de um novo império na América já lhe haviam causado muitos problemas e até gerou o seu afastamento das decisões da política portuguesa, mas com o avanço de Napoleão suas propostas foram resgatas e junto a elas o prestígio outrora perdido. E meio a indecisão de D. João VI estava um imperador cada dia mais impaciente, Napoleão exigia de Portugal a adesão ao Bloqueio continental, o fechamento dos portos a embarcações da Grã Bretanha, o seqüestro de bens pertencentes a ingleses que residiam no reino luso. Não dando mais espaço para decisão por parte do Reino ibérico Bonaparte da à ordem para que o General Jean andoche Junot comandasse as tropas de invasão. Sob o comando de Junot o Exército Francês com quase 30 mil homens atravessam a Espanha em direção as fronteiras Portuguesas,não havia mais tempo para resistir ou diplomacia , a saída que restava para D. João era fugir e ao menos salvar sua Família e esperar que num futuro próximo eles pudessem retornar para uma Europa em paz e sem o domínio Napoleônico.Em uma verdadeira operação de guerra os preparativos foram acelerados para embarcar a família real e milhares de integrantes da corte Portuguesa ,antes que as tropas de Junot invadissem Lisboa impedindo qualquer tentativa de fuga.No dia 26 de novembro de 1807, o príncipe regente organiza uma junta que governaria Portugal após a sua partida,com ordens claras de não resistir para poupar a vida de seus súditos que ele fora obrigado a deixar.O cais estava repleto de lama em virtude de vários dias chuvosos que antecederam a partida ,em meio a uma população incrédula livros da biblioteca real , pratarias e porcelanas se amontoavam em meio ao caos e balbúrdia.Cerca de 10 mil pessoas embarcaram em precários 15 navios da Frota Portuguesa,mas segundo alguns especialistas esse número que “fugitivos” pode ser bem maior em decorrência da confusão que se instaurou nas rampas que levavam aos barcos.A Família Real portuguesa foi embarcada em 4 navios,distribuição estratégica ,pois abrigar toda a realeza na mesma embarcação em caso de naufrágio todo sacrifício de deixar o reino seria em vão.Na madrugada do dia 27 de novembro o comboio navega pelo Tejo em direção ao atlântico , a viagem foi escoltada pela Marinha Real britânica ,para garantir que nenhuma surpresa pudesse impedir a fuga dos portugueses.No dia 29 de novembro ventos fortes empurravam os lusos em direção a sua colônia uma refúgio seguro e a 6 mil quilômetros das guerras Napoleônicas,no rastro D. João VI deixava um povo desolado e sem perspectiva de futuro. No dia seguinte as tropas do General Junot entram soberanas em uma Lisboa funesta que ainda chorava a ausência de seu Monarca .O sonho de liberdade estava nas mãos do britânico Arthur Wellesley ,duque de Wellington ,homem responsável em organizar as tropas Anglo-Portuguesas para expulsar os invasores Franceses.Um monarca abatido olhava cada vez mais tristonho um reino que ele deixava para trás , mas não sem o sincero sofrimento de Pai que se vê forçado a abandonar o filho.Um dia antes de seu embarque para o Brasil D. João VI escreve um decreto onde explica as suas razões para tal ato , em suas palavras fica claro o sentimento de dor e frustração de abandonar seus súditos: “ Tenho procurado por todos os meios possíveis conservar a neutralidade de que até agora tem gozado os meus fiéis e amados vassalos e apesar de ter exaurido o meu real erário,e de todos os sacrifícios a que me tenho sujeitado, chegando ao excesso de fechar os portos dos meus reinos aos vassalos do meu antigo e leal aliado , o rei da Grã Bretanha ,expondo o comércio dos meus vassalos a total ruína, e a sofrer por este motivo grave prejuízo nos rendimentos da minha coroa. Vejo que pelo interior do meu reino marcham tropas do imperador dos Franceses e rei da Itália ,a quem eu me havia unido no continente ,na persuasão de não ser mais inquietado(....)E querendo evitar funestas Consequências que se podem seguir de uma defesa ,que seria mais nociva que proveitosa,servindo só de derramar sangue em prejuízo da Humanidade(....)tenho resolvido em benefício dos meus vassalos passar com a rainha minha senhora e mãe ,e com toda a real família ,para os estados da América , e estabelecer-me na cidade do rio de Janeiro até a paz geral”
(26/Nov/1807 – Decreto de sua alteza real regente, o príncipe D. João VI)
As razões que levaram a Família real a fugir de uma Europa em guerra podem ser claras, porém a imagem do monarca varia de acordo com a fonte ou opiniões pessoas, D. João VI pode ser descrito como herói que preferiu a humilhação de uma fuga a ver seu povo definhar nas mãos de Napoleão ou simplesmente será lembrado como um monarca covarde que salvou a própria pele abandonando seus súditos. Não a cabe a mim fazer esse julgamento a história não é baseada no conflito eterno do bem VS o Mal , ou certo e errado .Fato inegável é a vinda da Família real para o Brasil , episódio que mudou pra sempre o destino de Brasileiros e portugueses dos dois lados do Oceano Atlântico. A Viagem foi um verdadeiro martírio para os componentes da corte que acompanhavam o seu soberano nessa “Aventura nos trópicos”. No longo caminho até a América do sul água e comida foi um sério problema em razão da péssima preparação da viagem, dada as circunstâncias que tornavam o embarque imediato. Enjôos, pessoas amontoadas e dormindo ao relento, epidemia de piolho tornava os mais de seis mil quilômetros até a colônia um inferno na terra. No dia 22 de janeiro de 1808 a esquadra portuguesa chega a salvador, depois de uma parada para reparos e descanso dos tripulantes o comboio segue para o Rio de janeiro destino final da viagem. No dia 7 de março eles avistam a o longe o povo aglomerado na praia , para recepcionar o primeiro monarca a pisar em solo Americano , no dia seguinte a corte desembarca para o frenesi popular.A partir desse momento a vida da Colônia nunca mais seria a mesma !!!!

sábado, 2 de outubro de 2010

Os caminhos do Golpe militar de 1964

O ano de 1964 marcou a entrada do Brasil em um regime autoritário que já tomava conta da América latina, um grupo conservador liderado por militares derrubou o regime democrático de João Goulart, político populista que havia assumido a presidência no lugar de Jânio quadros. O golpe se articulava há muito tempo, membros do exército e da UDN tramavam para evitar a posse de João Goulart que estava na china comunista no momento que Jânio renunciou ao cargo máximo do executivo. O então vice presidente teve que aceitar uma limitação de poderes através de um regime parlamentarista até meados de 1963 onde o povo decidiria pela manutenção desse sistema ou pelo retorno republicano. O plebiscito popular devolveu a Goulart à autonomia para governar, e com a volta do presidencialismo Jango se dedicou a aprovar um conjunto de mudanças de ordem estrutural no plano intitulado reformas de base. O projeto previa reforma agrária, educacional e tributária áreas consideradas primordiais para corrigir problemas históricos do Brasil.tais ideias serviram de alimento para desencadear acusações a João Goulart por parte de setores conservadores e elitistas da sociedade brasileira que o acusavam de práticas comunistas. As reformas de base anunciadas por meio de um mega comício no dia 13 de março de 1964 deixaram o exército pronto para agir, a paranoia comunista tomava conta da sociedade a ponto da igreja católica organizar uma marcha em São Paulo em protesto ao anúncio das reformas propostas por Jango. No dia 31 de março de 1964 o general Olímpio Mourão coloca sua tropa em direção ao Rio de Janeiro dando início as manobras que culminaram na queda de João Goulart, o ato improvisado do militar irritou outras lideranças do golpe que acharam tal atitude imprudente, pois ainda não existia uma data de consenso entre os militares que tramavam contra o governo. O golpe contou com o apoio do governador de minas gerais Magalhães pinto. Em questão de poucos dias os tanques tomaram conta das principais capitais do País levando João Goulart e sua família a fugir do Brasil, o mesmo não quis resistir e colocar a vida de milhares de civis em risco. Com a ausência do presidente e com a deposição do presidente da câmara Ranieri Mazzilli que governou por algum tempo após a fuga de Goulart o poder foi entregue a uma junta militar que posteriormente elegeu Humberto de Alencar castelo branco presidente da república. Os militares ficaram a frente do estado brasileiro de 1964 a 1985, nesse longo período o país foi governado por castelo branco, Artur da costa e silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João batista Figueiredo. "Presidentes Generais" que impuseram o poder das fardas a serviço da segurança nacional , pois na visão dos mesmos o movimento de 1964 era revolucionário no sentido de conter a ameaça comunista que João Goulart representava , o argumento emprestado dos Estados unidos caiu como uma luva para um grupo grande de pessoas que se beneficiavam com uma ditadura em vigor no Brasil.Os fazendeiros que temiam a reforma agrária proposta por Goulart e a elite industrial que desde a era Vargas se sentia prejudicada pelo conjunto de leis trabalhistas criadas por populistas, são bons exemplos de membros da elite antenados na esfera golpista que derrubou o que muitos consideravam uma ameaça "vermelha".O exército brasileiro não estava sozinho , é importante que se diga que amplos setores da sociedade civil apoiaram o golpe, influenciados por forte campanha Norte Americana que lutava para barrar o exemplo revolucionário de Cuba que sob a liderança de Fidel puseram fim a uma ditadura implantando um satélite soviético na América.O Brasil e o Chile foram vítimas da guerra fria e da política externa dos Estados unidos em relação aos governos da América latina,essa disputa entre os modelos capitalista e comunistas arrastou parte dos nossos vizinhos a regimes autoritários sob a tutela e financiamento do "Tio Sam".A ditadura militar brasileira levou o País a uma era de torturas, desaparecimentos,mortes , guerrilhas urbanas e rurais,ufanismo,censura,crise financeira ,desemprego,arrocho salarial,inflação e exílio.A vitória de Tancredo noves em 1985 pós fim a montanha russa que varria a nação nos últimos 20 anos e os gritos de muitos brasileiros que se sentiram exilados dentro do seu próprio país ecoam ainda hoje .... "Democracia”!!!!!! "Ditadura nunca Mais"!!!!