O Príncipe D. João e a família real desembarcaram no Rio de janeiro no dia 8 de março de 1808, pela primeira vez um Monarca Europeu é desterrado de seus domínios sendo obrigado a se refugiar em uma de suas Colônias. Contar a trajetória Imperial no Brasil partindo da chegada da Família Real seria negligenciar os antecedentes que obrigaram a dinastia de Bragança a praticar tamanho ato de sofrimento e Humilhação.Nosso ponto de partida é a Europa de Napoleão Bonaparte que no inicio do século XIX que deixou grande parte do continente de joelhos diante de seu poder.Em 1789 cansados dos abusos do clero e nobreza o terceiro estado Francês, grupo numeroso e que reunia as mais variadas classes sociais desencadearam uma revolução liberal e de caráter iluminista para abolir privilégios e limitar os poderes da monarquia Francesa que a muito oprimia a população com pesados impostos.A Queda da bastilha foi muito mais que a simples derrubada de uma prisão que simbolizava o absolutismo e o poder Real, sua tomada pela população foi um exemplo que exército nenhum seria capaz de sufocar , a liberdade era o hino cantado em todas as regiões da Europa a partir de então – A Monarquia estava com os dias contados .Napoleão Bonaparte tomou o poder em um episódio conhecido como golpe do 18 Brumário,que dissolve o diretório e instaura o consulado , o caminho estava para expandir o seu fiel exército por vales , rios e planícies da Europa “derrubando monarcas” .Napoleão se julgava o líder que propagaria os ideais de liberdade da revolução Francesa pelo velho continente.Em 1802 seu poder aumenta com o título de cônsul vitalício , mas para ele ainda parecia pouco diante de tamanhas pretensões que possuía e dois anos depois em cerimônia solene e com a presença do Papa Pio VII, Bonaparte é aclamado Imperador da França. Para um homem que se julgava um mensageiro da liberdade até que a coroa que ele tomou das mãos do Papa lhe caiu muito Bem. Com poderes ilimitados ele da inicio ao seu projeto de dominar os territórios ocupados por dinastias absolutistas que a muito reinavam triunfantes sobre a Europa. Nas campanhas militares do exército francês os territórios que pertenciam a Áustria, Prússia e Rússia caíram com relativa facilidade nas mãos do Império napoleônico, mas a Inglaterra se mantinha firme e inatingível mesmo diante de um inimigo tão poderoso. Sua condição insular e sua Marinha poderosa comanda pelo almirante Nelson forneciam a Grã Bretanha uma tranqüilidade de não combater dentro de seu território.Napoleão viu sua frota naval ser praticamente destruída pela marinha Britânica na Batalha de trafalgar em 1805 , mesmo contando com ajuda Espanhola a marinha Francesa não foi capaz de vencer as manobras geniais do almirante Nelson na costa Espanhola e no canal da mancha.Na tentativa de minar a resistência Inglesa para uma nova investida no futuro,Napoleão institui o Bloqueio Continental em 1806,o decreto proibia todas as nações da Europa de estabelecerem relações comerciais com a Grã Bretanha.Os países do velho continente estavam proibidos de comprar manufaturados ou vender matérias primas para o império britânico, a nação que ousasse não cumprir as determinações impostas por Bonaparte estariam sujeitas a represálias militares do poderoso exército francês.É nesse contexto de França e Inglaterra disputando a hegemonia política e econômica na Europa, que Portugal um reino pequeno e até então neutro, se vê encurralado pela antiga aliança com os Ingleses e sob as ameaças de invasão de Napoleão Bonaparte caso os lusos não aderissem ao bloqueio continental.O Reino Português corria sério risco de sumir do mapa, e o homem encarregado de salvar a monarquia Portuguesa e tudo que ela representava era o Príncipe regente D. João VI.O Monarca Português nasceu no dia 13 de maio de 1767 , no palácio real da Ajuda em uma região próxima a Lisboa.Era o segundo Filho do Rei Dom Pedro III e Dona Maria Isabel de Bragança, que com a morte do marido e posteriormente do filho D. José em 1788, ela passou a utilizar título de Dona Maria I. D.João VI era o segundo na linha de sucessão e com a morte do primogênito ele se transformou em herdeiro direto do trono Português, episódio que não demorou em razão da insanidade crescente da rainha. Ele toma posse do trono em 10 de fevereiro de 1792 e no ano de 1799 é aclamado como Príncipe regente .O príncipe regente era uma homem discreto , extremamente religioso e segundo contemporâneos era uma político limitado por crises constantes de indecisão , defeito perigoso para um monarca que vivia rodeado por uma corte dividida entre partidários da França de Napoleão e fieis seguidores da monarquia parlamentar inglesa.Se já não bastassem os problemas políticos a resolver o príncipe se via envolto em escândalos familiares proporcionados por uma mãe com problemas mentais e um casamento infeliz e problemático com a Infanta Espanhola Dona Carlota Joaquina, que estava sempre envolvida em conspirações e especulações de adultério.A esse Homem coube a tarefa de decidir os rumos da monarquia portuguesa.O Príncipe D. João VI tinha três soluções aparentes e todas pareciam desfavoráveis a ele , sua primeira opção era ceder as vontades de Napoleão e aderir ao Bloqueio continental e assim afastar uma possível invasão .Porém tal medida romperia tratados e alianças comerciais e militares do Portugueses com a Inglaterra ,opção no mínimo perigosa,era trocar um inimigo perigoso por outro de poder semelhante.A segunda alternativa era ficar em Portugal e resistir a invasão do exército francês , parecia uma solução Honrosa e o certo a se fazer , mas como todos sabiam tal ato era uma declaração de destruição de Portugal e da Monarquia de Bragança.A Terceira via era fugir com toda a família real Portuguesa para o Brasil e deixar a luta a cargo da Inglaterra ,essa tese era defendida por Londres como a melhor saída naquele cenário.A Ideia de transferir a corte para o Brasil não era nova , em momentos anteriores da História Portuguesa políticos e homens influentes como o padre Antônio Vieira Já cogitavam a transferência do poder metropolitano para o Brasil. Nesse cenário de guerras Napoleônicas e de invasão da península Ibérica o principal articulador da idéia de transferir a corte portuguesa foi o embaixador D. Rodrigo de Souza Coutinho, conde de Linhares. Suas ideias de construção de um novo império na América já lhe haviam causado muitos problemas e até gerou o seu afastamento das decisões da política portuguesa, mas com o avanço de Napoleão suas propostas foram resgatas e junto a elas o prestígio outrora perdido. E meio a indecisão de D. João VI estava um imperador cada dia mais impaciente, Napoleão exigia de Portugal a adesão ao Bloqueio continental, o fechamento dos portos a embarcações da Grã Bretanha, o seqüestro de bens pertencentes a ingleses que residiam no reino luso. Não dando mais espaço para decisão por parte do Reino ibérico Bonaparte da à ordem para que o General Jean andoche Junot comandasse as tropas de invasão. Sob o comando de Junot o Exército Francês com quase 30 mil homens atravessam a Espanha em direção as fronteiras Portuguesas,não havia mais tempo para resistir ou diplomacia , a saída que restava para D. João era fugir e ao menos salvar sua Família e esperar que num futuro próximo eles pudessem retornar para uma Europa em paz e sem o domínio Napoleônico.Em uma verdadeira operação de guerra os preparativos foram acelerados para embarcar a família real e milhares de integrantes da corte Portuguesa ,antes que as tropas de Junot invadissem Lisboa impedindo qualquer tentativa de fuga.No dia 26 de novembro de 1807, o príncipe regente organiza uma junta que governaria Portugal após a sua partida,com ordens claras de não resistir para poupar a vida de seus súditos que ele fora obrigado a deixar.O cais estava repleto de lama em virtude de vários dias chuvosos que antecederam a partida ,em meio a uma população incrédula livros da biblioteca real , pratarias e porcelanas se amontoavam em meio ao caos e balbúrdia.Cerca de 10 mil pessoas embarcaram em precários 15 navios da Frota Portuguesa,mas segundo alguns especialistas esse número que “fugitivos” pode ser bem maior em decorrência da confusão que se instaurou nas rampas que levavam aos barcos.A Família Real portuguesa foi embarcada em 4 navios,distribuição estratégica ,pois abrigar toda a realeza na mesma embarcação em caso de naufrágio todo sacrifício de deixar o reino seria em vão.Na madrugada do dia 27 de novembro o comboio navega pelo Tejo em direção ao atlântico , a viagem foi escoltada pela Marinha Real britânica ,para garantir que nenhuma surpresa pudesse impedir a fuga dos portugueses.No dia 29 de novembro ventos fortes empurravam os lusos em direção a sua colônia uma refúgio seguro e a 6 mil quilômetros das guerras Napoleônicas,no rastro D. João VI deixava um povo desolado e sem perspectiva de futuro. No dia seguinte as tropas do General Junot entram soberanas em uma Lisboa funesta que ainda chorava a ausência de seu Monarca .O sonho de liberdade estava nas mãos do britânico Arthur Wellesley ,duque de Wellington ,homem responsável em organizar as tropas Anglo-Portuguesas para expulsar os invasores Franceses.Um monarca abatido olhava cada vez mais tristonho um reino que ele deixava para trás , mas não sem o sincero sofrimento de Pai que se vê forçado a abandonar o filho.Um dia antes de seu embarque para o Brasil D. João VI escreve um decreto onde explica as suas razões para tal ato , em suas palavras fica claro o sentimento de dor e frustração de abandonar seus súditos: “ Tenho procurado por todos os meios possíveis conservar a neutralidade de que até agora tem gozado os meus fiéis e amados vassalos e apesar de ter exaurido o meu real erário,e de todos os sacrifícios a que me tenho sujeitado, chegando ao excesso de fechar os portos dos meus reinos aos vassalos do meu antigo e leal aliado , o rei da Grã Bretanha ,expondo o comércio dos meus vassalos a total ruína, e a sofrer por este motivo grave prejuízo nos rendimentos da minha coroa. Vejo que pelo interior do meu reino marcham tropas do imperador dos Franceses e rei da Itália ,a quem eu me havia unido no continente ,na persuasão de não ser mais inquietado(....)E querendo evitar funestas Consequências que se podem seguir de uma defesa ,que seria mais nociva que proveitosa,servindo só de derramar sangue em prejuízo da Humanidade(....)tenho resolvido em benefício dos meus vassalos passar com a rainha minha senhora e mãe ,e com toda a real família ,para os estados da América , e estabelecer-me na cidade do rio de Janeiro até a paz geral”
(26/Nov/1807 – Decreto de sua alteza real regente, o príncipe D. João VI)
As razões que levaram a Família real a fugir de uma Europa em guerra podem ser claras, porém a imagem do monarca varia de acordo com a fonte ou opiniões pessoas, D. João VI pode ser descrito como herói que preferiu a humilhação de uma fuga a ver seu povo definhar nas mãos de Napoleão ou simplesmente será lembrado como um monarca covarde que salvou a própria pele abandonando seus súditos. Não a cabe a mim fazer esse julgamento a história não é baseada no conflito eterno do bem VS o Mal , ou certo e errado .Fato inegável é a vinda da Família real para o Brasil , episódio que mudou pra sempre o destino de Brasileiros e portugueses dos dois lados do Oceano Atlântico. A Viagem foi um verdadeiro martírio para os componentes da corte que acompanhavam o seu soberano nessa “Aventura nos trópicos”. No longo caminho até a América do sul água e comida foi um sério problema em razão da péssima preparação da viagem, dada as circunstâncias que tornavam o embarque imediato. Enjôos, pessoas amontoadas e dormindo ao relento, epidemia de piolho tornava os mais de seis mil quilômetros até a colônia um inferno na terra. No dia 22 de janeiro de 1808 a esquadra portuguesa chega a salvador, depois de uma parada para reparos e descanso dos tripulantes o comboio segue para o Rio de janeiro destino final da viagem. No dia 7 de março eles avistam a o longe o povo aglomerado na praia , para recepcionar o primeiro monarca a pisar em solo Americano , no dia seguinte a corte desembarca para o frenesi popular.A partir desse momento a vida da Colônia nunca mais seria a mesma !!!!
sábado, 16 de outubro de 2010
sábado, 2 de outubro de 2010
Os caminhos do Golpe militar de 1964
O ano de 1964 marcou a entrada do Brasil em um regime autoritário que já tomava conta da América latina, um grupo conservador liderado por militares derrubou o regime democrático de João Goulart, político populista que havia assumido a presidência no lugar de Jânio quadros. O golpe se articulava há muito tempo, membros do exército e da UDN tramavam para evitar a posse de João Goulart que estava na china comunista no momento que Jânio renunciou ao cargo máximo do executivo. O então vice presidente teve que aceitar uma limitação de poderes através de um regime parlamentarista até meados de 1963 onde o povo decidiria pela manutenção desse sistema ou pelo retorno republicano. O plebiscito popular devolveu a Goulart à autonomia para governar, e com a volta do presidencialismo Jango se dedicou a aprovar um conjunto de mudanças de ordem estrutural no plano intitulado reformas de base. O projeto previa reforma agrária, educacional e tributária áreas consideradas primordiais para corrigir problemas históricos do Brasil.tais ideias serviram de alimento para desencadear acusações a João Goulart por parte de setores conservadores e elitistas da sociedade brasileira que o acusavam de práticas comunistas. As reformas de base anunciadas por meio de um mega comício no dia 13 de março de 1964 deixaram o exército pronto para agir, a paranoia comunista tomava conta da sociedade a ponto da igreja católica organizar uma marcha em São Paulo em protesto ao anúncio das reformas propostas por Jango. No dia 31 de março de 1964 o general Olímpio Mourão coloca sua tropa em direção ao Rio de Janeiro dando início as manobras que culminaram na queda de João Goulart, o ato improvisado do militar irritou outras lideranças do golpe que acharam tal atitude imprudente, pois ainda não existia uma data de consenso entre os militares que tramavam contra o governo. O golpe contou com o apoio do governador de minas gerais Magalhães pinto. Em questão de poucos dias os tanques tomaram conta das principais capitais do País levando João Goulart e sua família a fugir do Brasil, o mesmo não quis resistir e colocar a vida de milhares de civis em risco. Com a ausência do presidente e com a deposição do presidente da câmara Ranieri Mazzilli que governou por algum tempo após a fuga de Goulart o poder foi entregue a uma junta militar que posteriormente elegeu Humberto de Alencar castelo branco presidente da república. Os militares ficaram a frente do estado brasileiro de 1964 a 1985, nesse longo período o país foi governado por castelo branco, Artur da costa e silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João batista Figueiredo. "Presidentes Generais" que impuseram o poder das fardas a serviço da segurança nacional , pois na visão dos mesmos o movimento de 1964 era revolucionário no sentido de conter a ameaça comunista que João Goulart representava , o argumento emprestado dos Estados unidos caiu como uma luva para um grupo grande de pessoas que se beneficiavam com uma ditadura em vigor no Brasil.Os fazendeiros que temiam a reforma agrária proposta por Goulart e a elite industrial que desde a era Vargas se sentia prejudicada pelo conjunto de leis trabalhistas criadas por populistas, são bons exemplos de membros da elite antenados na esfera golpista que derrubou o que muitos consideravam uma ameaça "vermelha".O exército brasileiro não estava sozinho , é importante que se diga que amplos setores da sociedade civil apoiaram o golpe, influenciados por forte campanha Norte Americana que lutava para barrar o exemplo revolucionário de Cuba que sob a liderança de Fidel puseram fim a uma ditadura implantando um satélite soviético na América.O Brasil e o Chile foram vítimas da guerra fria e da política externa dos Estados unidos em relação aos governos da América latina,essa disputa entre os modelos capitalista e comunistas arrastou parte dos nossos vizinhos a regimes autoritários sob a tutela e financiamento do "Tio Sam".A ditadura militar brasileira levou o País a uma era de torturas, desaparecimentos,mortes , guerrilhas urbanas e rurais,ufanismo,censura,crise financeira ,desemprego,arrocho salarial,inflação e exílio.A vitória de Tancredo noves em 1985 pós fim a montanha russa que varria a nação nos últimos 20 anos e os gritos de muitos brasileiros que se sentiram exilados dentro do seu próprio país ecoam ainda hoje .... "Democracia”!!!!!! "Ditadura nunca Mais"!!!!
sábado, 11 de setembro de 2010
11 de Setembro Uma Data que o mundo não vai esquecer!!!
A exatos 9 anos os Estados Unidos da américa foram atingidos em cheio por uma onda de ataques terroristas de maneira sincronizada que atingiu centros econômicos e militares.A organização alqaeda de Osama bin laden foi a responsável por arquitetar e executar o maior atentado terrorista já realizado em solo americano, o pânico e o medo tomaram conta de todos que assistiam ao vivo o desenrolar da trama atônitos diante da TV.Ninguém poderia imaginar que a nação mais rica e poderosa do mundo poderia ser atingida por um ataque dentro de seu território e espaço aéreo,a ousadia e fanastismo de Osama desencadeou uma nova fase nas relações internacionais e lançou o poderio militar Norte Americano na caçada ao terror.A ação mais impressionante dos terroristas se deu no coração financeiro de Nova York ,as Torres Gêmeas do World Trade Center desabaram depois de serem atingidas por aviões comerciais que estavam sob controle de membros da alqaeda.Com o choque quase 3 mil pessoas perderam a vida ,incluindo bombeiros e policiais que lutavam corajosamente para salvar as pessoas que ficaram presas em andares do prédio.Duas horas foi o tempo necessário para que o símbolo do poder econômico dos estados Unidos viesse ao chão,as autoridades incluindo o presidente bush assistiam inertes ao sofrimento de seu povo sem nada fazer.Para muitos críticos o ataque de Osama Bin laden seria uma resposta a ação norte americano nos assuntos do oriente médio e também pelo apoio as ações do estado de Israel.O fundamentalismo irracional e injustificável dissipou a vida de milhares de pessoas mediante as ordens de um único homem que baseado em ideais deturpados da fé islâmica levou a cabo um plano cruel que não arranhou em nada o poder Norte Americano , as ações da Alqaeda só serviram para levar mais guerra e morte ao povo de religião muçulmana que sofreu duras represálias.É importante que se diga que Osama e sua organização não agiram em nome de todos os muçulmanos , os mesmos não podem pagar a conta de um ataque promovido por 19 terroristas.Em suma o mundo acabou arcando com os prejuízos do 11 de setembro de 2001, a invasão do Afeganistão seguida de uma nova guerra no Iraque promoveu uma nova cruzada religiosa que só trouxe mais fanatismo religioso ,os atentados posteriores de Madri e londres mostraram ao mundo que o fantasma da intolerância vive entre nós e persiste mesmo com os apelos de paz clamados em todos os cantos do planeta.Existe espaço suficiente para todas as religiões e se Deus é a representação pura do amor e da união entre os homens ,já passamos da hora de por em prática esses preceitos de confraternização e tolerância.Em suma gostaria de pedir que o dia 11 de setembro entrasse no caledário mundial como o dia da luta pela paz e Tolerância.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Trecho do meu livro que está no Forno !!! Capítulo sobre a independência do Brasil!!!
A crise do absolutismo e de toda estrutura do antigo regime abalou o poder de Reis que outrora governaram a Europa de forma soberana, os descontentes com o poder real estavam de ambos os lados do Atlântico, as velhas estruturas eram contestadas e os movimentos de independência buscavam se livrar das amarras do Pacto colonial. A América por séculos foi tratada como um celeiro de riquezas e centro fornecedor de Matéria Prima que serviria para Enriquecer as Metrópoles Européias, a Península Ibérica que se despontou como primeira região de poder centralizado pode navegar muito antes que as poderosas Inglaterra e França, conquistando uma grande quantidade de terras além Mar. Espanha e Portugal com a conquista da América fizeram do continente um importante meio de fortalecer os seus cofres reais com a enorme quantidade de Metais preciosos e com a produção de produtos tropicais como cana de açúcar, por séculos toda a estrutura colonial aqui montada foi direcionada para atender as necessidades do mercado Europeu. Os súditos Americanos aguardavam uma chance de romper com as imposições e abusos oriundos do exclusivismo comercial imposto pelo pacto colonial, o sonho de liberdade clamado pelo pensamento iluminista teve forte influência nos movimentos de libertação que eclodiram nessa margem do Atlântico. No caso Brasileiro, os primeiros movimentos de cunho emancipacionista, a inconfidência mineira (1789) e a conjuração Baiana (1798) foram norteadas e lideradas com base em exemplos do pensamento iluminista, a liberdade conquistada por colonos Norte Americanos em relação à Inglaterra mostrou que o sonho era possível. A revolução Francesa e a ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder transformaram uma antiga realidade de domínio absolutista, os reis estavam em vias de extinção, pois cada região dominada por Tropas Francesas uma monarquia ruía diante de uma avalanche de idéias liberais. A guerra entre Napoleão e as monarquias Absolutistas mantiveram o continente Europeu em estado beligerante, nesse vazio de poder as colônias americanas se aproveitaram do enfraquecimento militar de suas metrópoles para se libertar. A península ibérica foi uma das regiões da Europa mais atingida pelas guerras Napoleônicas, à Espanha viu sua monarquia ser subjugada após um breve período de aliança com os Franceses e Portugal assistiu a fuga de toda a sua Família real e corte para o Brasil, sem saber Napoleão Bonaparte dava sua contribuição no processo de emancipação da América Latina. O Processo de independência do Brasil se deu de maneira diferente em relação aos nossos vizinhos, que conquistaram a liberdade a custo de muito sangue em verdadeiras batalhas de vida ou morte sob a liderança de Simon Bolívar e José de San Martin. A Espanha esboçou uma reação após a queda de Napoleão ,enviando tropas para a América com intuito de reconquistar a soberania sobre suas antigas Colônias.O nosso caso foi peculiar, pois envolveu a liderança de um membro da própria família real Portuguesa e as lutas foram isoladas , o processo não foi totalmente pacífico mas nem se compara a onda de violência que tomou conta dos movimentos simultâneos no continente.Nesse capítulo o nosso objetivo é tentar entender os meandros , curiosidades,episódios e personagens que de uma maneira ou de outra participaram dessa passagem tão importante da nossa História.A Permanência da Família real Portuguesa no Rio de Janeiro trouxe benefícios até desconhecidos por uma colônia , a presença do poder central elevou a moral dos súditos Americanos que da noite para dia foram elevados a condição de habitantes da sede do império lusitano.Os Brasileiros puderam se beneficiar das melhores estruturais promovidas por d. João VI e também desfrutaram das vantagens e liberdades comerciais oferecidas por ele.Porém a felicidade de Abrigar o Rei e sua família acabou com a eclosão da Revolução liberal do Porto em 1820 , que dentre outras medidas obrigava a Monarquia a retornar a Europa.A volta dos Bragança a Portugal gerou um clima de Incerteza na população Brasileira sobre os rumos que a corte traçaria para o Brasil quando da chegada de d. João VI a antiga metrópole. A decisão de d. João VI de deixar seu herdeiro como príncipe regente do Brasil abria espaço para especulações a cerca da sua intenção, tal ato pode ser interpretado como uma vontade de manter plenos poderes para a família real em terras Americanas já que na Europa a monarquia estaria nas mãos do legislativo português. O ato também pode ser analisado por outro prisma, d. Pedro pode ter ser aproveitado da ausência do Pai nos trópicos para se apoderar do poder por meio de um processo de independência sob sua liderança já que em Portugal o trono que seria seu no futuro não era tão atrativo após as restrições e limitações impostas pela revolução liberal do Porto. Na historiografia Brasileira é fácil encontrar seguidores de ambas as teorias, porém não podemos descartar a participação de outros personagens que direta ou indiretamente acabaram influenciando o príncipe regente nos caminhos que levaram a nossa emancipação. Faz-se necessário uma narração dos fatos que nortearam essa história e uma analise apurada dos episódios que cercam a independência do Brasil. A Revolução liberal que tomou conta de Portugal como rastro de pólvora foi em grande parte motivada pela longa estadia do corte joanina no Rio de janeiro, a ameaça de destronar d. João VI e seu Herdeiro fez com que grande parte da família retornasse para casa. No rastro desse retorno conturbado ficou uma Antiga colônia que não pretendia voltar a esse status,a elite brasileira temia que antigas tradições metropolitanas viessem a provocar prejuízos e proibições de ordem comercial ,atrelando o mercado Brasileiro mais uma vez ao exclusivismo Português.A solução era se aproveitar da situação e do clima de inconformismo e romper ligações de forma definitiva com Portugal , uma processo controlado e que não podia contar com a participação popular com vias de evitar um processo revolucionário e os temidos excessos que acompanham as vontades do povo,assim pensava a aristocracia.Contar com a ajuda do povo estava fora de cogitação em razão de uma realidade de forte antagonismo social e de um sistema escravista ainda em vigor , a elite temia que idéias abolicionistas e de igualdade social pudessem ser incorporadas a causa emancipacionista alterando estruturas seculares que afetavam diretamente os seus interesses.A Ala conservadora que tinha José Bonifácio de Andrada e silva como principal liderança apoiava d. Pedro como liderança no processo de ruptura com Portugal como via de evitar que as antigas estruturas sociais fossem alteradas radicalmente ,o medo que assolava esse grupo era a somatória de abolição e fragmentação territorial.Se levado em consideração a dimensão do nosso território o medo era justificável , dentro do Brasil poderia nascer dezenas de novas nações. Políticos de tendências distintas como liberais e conservadores se uniram pelo projeto de convencer d. Pedro a não ceder às pressões Portuguesas que pediam a sua volta imediata a Europa, a corte pretendia dar seguimento ao projeto de transformar o Brasil mais uma vez em uma colônia nos moldes clássicos de outrora. U abaixo assinado foi organizado com vistas a colher assinaturas em todo o Brasil para convencer o príncipe regente de que o povo estava com ele. A entrega do documento e os apelos calorosos de populares foram os fatores que convenceram d. Pedro a Ficar e liderar o nosso processo de independência. Era 9 de janeiro de 1822 e assim d. Pedro avisava o povo de sua decisão – “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto! Digam ao povo que fico”. Decidir ficar foi o primeiro passo, agora era hora de por em prática o processo de emancipação Política do Brasil, d. Pedro precisa sepultar o seu passado que o unia a sua terra Natal. Como primeira ação ele tratou de nomear uma junta administrativa, esse ministério Brasileiro tinha o Patriarca José Bonifácio como chefe da Pasta do reino e negócios Estrangeiros, o objetivo de tal medida era romper com toda e qualquer influência portuguesa em assuntos Nativistas. A influência lusitana foi excluída no centro de decisões da Monarquia Brasileira, as decisões seguintes visavam proteger o Brasil de uma possível investida e represália por parte dos ressentidos portugueses que habitavam as duas Margens do Atlântico. Mantendo sua posição d. Pedro no dia 4 de Abril de 1822 ordenou que nenhuma ordem vinda de Portugal teria efeito no Brasil sem a sua prévia autorização.Como reconhecimento ao trabalho e esforço dedicados a causa Brasileira d. Pedro é agraciado com o Título de Defensor Perpétuo Do Brasil ,a liberdade após esse conjunto de ações e acontecimentos era realmente questão de tempo , eu diria uma questão de Oficializar o que na prática já estava acorrendo desde a chegada da corte no Rio de Janeiro em Março de 1808.O Brasil tinha deixado de ser colônia, e de sentir como uma ,o caminho da independência traçado desde o momento que Portugal teve seu destino alterado por uma Homem chamado Napoleão Bonaparte.A tarefa de d. Pedro seguia seu ritmo , continuar em visita a várias províncias ,angariando apoio de quem ainda tinha dúvida se a ruptura com Portugal traria benefícios ou problemas econômicos para o Brasil.O então príncipe regente viajou por áreas do litoral estudando formas de guarnecê-lo em caso de ataque , sem se descuidar do maior medo da elite ,o fantasma da fragmentação territorial.Em agosto de 1822 , o príncipe regente esteve nas províncias de Minas Gerais e São Paulo ,uma onda de agitações de ordem política poderia por em risco os seus planos de independência e manutenção territorial ,resolvidas as pendengas regionais ele se desloca ao litoral , mas precisamente na cidade de Santos com a intenção de preparar um plano de defesa em caso de Ataque Português.Após vistoriar algumas obras ele retorna para São Paulo acompanhado de sua comitiva, nas proximidades do Rio Ipiranga ele encontra emissários do Rio de Janeiro de posse de correspondências endereçadas a ele.D . Pedro recebia ordens da corte Portuguesa, mas especificamente vindas de seu Pai d. João VI, em tom claro o monarca Português dava um ultimato ao filho ordenando que mesmo voltasse para Portugal, o restante da correspondência foi à inspiração para o ato mais simbólico a cerca do processo de Independência do Brasil. Sua Mulher d. Leopoldina e seu conselheiro José Bonifácio o alertavam do perigo de continuar retardando o rompimento com Portugal e pediam para ele acelerasse o processo. As palavras lidas tiveram peso para d. Pedro que jogou fora uma divisa real portuguesa que carregava no Braço, aconselhou sua tropa que fizesse o mesmo e de posse de sua espada esbravejou ““ Camaradas Portugal quer escravizar o Brasil, Cabe, portanto, declarar agora a nossa independência ou morte”. Era 7 de setembro de 1822, um dos atos mais importantes de nossa história foi visto somente por um pequeno grupo de homens que o acompanhava. O Grito do Ipiranga mais que um ato heróico ele simbolizou o nosso rompimento oficial com Portugal, ao gritar Independência ou Morte d.Pedro deixava pra trás o seu, e o nosso passado lusitano, pelos menos era todos esperavam. Faltava agora conquistar por meio da espada que ele levantou a aceitação do processo de independência nas províncias rebeldes, que pela forte presença lusitana ou em virtude de laços comerciais teimavam em não reconhecer a nossa ruptura com Portugal. Em outubro o príncipe regente é aclamado Imperador do Brasil e em dezembro de 1822 é oficializado com o título de d.Pedro I, suas ações a partir daí se voltavam no sentido de concluir a independência do Brasil reprimindo as províncias insurgentes no norte e nordeste já que no sudeste o trabalho estava consolidado e concluído. Sem poder contar com um exército constituído e a inexistência de uma força militar permanente o agora imperador dom Brasil foi obrigado a recrutar estrangeiros de inúmeras nacionalidades para sufocar a resistência, o apoio logístico da Inglaterra foi de fundamental importância para que ele tivesse êxito em sua empreitada. Escalando mercenários e soldados Ingleses a repressão teve início nas províncias da Bahia, maranhão, Pará e Piauí. A Presença maciça de portugueses e de uma ala de brasileiros que teimavam em não se separar de Portugal transformou essas províncias em verdadeiros campos de batalha, podemos dizer que essa foi à página escrita com sangue na nossa de Independência. Dizer que a nossa liberdade se deu sem violência é ofender as pessoas que morreram de ambos os lados nessas regiões onde o uso de força se fez necessário ,porém é preciso salientar que essas lutas ocorreram em áreas restritas do nosso imenso território isso leva as antigas teses que desembocam no pacifismo do nosso processo. Os combates terminam em julho de 1823 quando as tropas remanescentes embarcam de volta a Europa, o sonho de ter o Brasil novamente como colônia estava sepultado e por ironia do destino o homem que impediu que isso se concretizasse tinha sangue português nas veias. Livre dos grilhões que nos prendia a Portugal d. Pedro I tinha muito trabalho pela frente, conseguir o reconhecimento internacional para nossa independência e construir um estado nacional Brasileiro. Não demorou muito para o povo se decepcionar com o seu Herói libertador,pois na montagem dessa nova nação os alicerces utilizados pertenciam a um passado de exclusão social e trabalho escravo,na prática a nossa emancipação se deu no campo político, pois as velhas estruturas econômicas e sociais foram mantidas para felicidade geral dos Ricos latifundiários .No próximo capítulo vamos percorrer o governo de d. Pedro I a frente do estado Brasileiro até o seu divórcio oficial com o povo em abril de 1831 quando o mesmo abdica do trono em nome de seu filho.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
O legado Cultural da Grécia e Roma Antiga
Quando a história percorre temas de um passado que precede o nascimento de cristo a dificuldade muitas vezes reside na falta de fontes escritas que possam mapear o período estudado. A antiguidade clássica, mais especificamente a história da Grécia e Roma pode fornecer ao pesquisador uma importante fonte de informações a cerca das tradições do mundo contemporâneo. O legado cultural dos Gregos e Romanos deixou para a cultura ocidental uma série de costumes e tradições que resistiram ao peso dos séculos e ainda hoje marca de forma notória Hábitos e a rotina cotidiana de milhões de pessoas.No ano 508 a.C o legislador Clístenes criou a democracia na cidade de Atenas, o critério de votação privilegiava os homens de origem jônia, o cidadão era aquele que possuía o direito de participar da vida política da Pólis.A democracia enquanto sistema de votação resistiu ao tempo e hoje reina em grande parte do mundo ocidental e diferente do mundo Grego não impõem tantos obstáculos ao status de cidadão.A grande festa esportiva em escala mundial é as olimpíadas,nações de todos os continentes disputam em várias categorias em busca das gloriosas medalhas que em suma simbolizam o sucesso da nação que o atleta representa.O que muita gente não sabe é a origem e a finalidade dos primeiros jogos organizados na cidade de Olímpia na Grécia antiga,os atletas gregos não disputavam premiações ou muito menos medalhas ,vencer em uma categoria esportiva representava a glória de possuir um corpo perfeito.os gregos eram fascinados com a idéia de perfeição física e estética,os jogos não podem ser considerados como mero encontro de atletas para uma disputa , a olimpíada grega era um momento de paz e trégua entre as "cidades-estado" que viviam em pé de Guerra.Navegando ainda nos trilhos das tradições o teatro é outro bom exemplo do caráter criativo dos gregos,as peças encenadas eram verdadeiras demonstrações de amor aos deuses , em um anfiteatro a céu Aberto atores representavam por dias a fio cenas lindíssimas de Comédias e tragédias que por trás de máscaras permitiam que o público pudesse voar nas asas da imaginação. O teatro contemporâneo apesar das transformações de ordem técnica que sofreu com o passar dos séculos ainda mantém a chama e o charme de incorporar o imaginário das linhas adaptadas a vida real.O legado cultural dos Gregos para a humanidade ainda inclui a criação de códigos e leis , vida urbana ,arquitetura,pintura,filosofia,poesia,política e uma série de outras contribuições que o pouco espaço desse singelo texto não permite percorrer.A Roma que se agigantou com o passar do tempo acabou por englobar a Grécia ao seu vasto império que atingia toda a bacia do mar mediterrâneo e outras regiões em direção ao norte da África e oriente médio.Portanto a cultura e os costumes dos Gregos acabaram influenciando os Romanos que agiam como esponjas sugando características de vários povos subjugados.Mas não podemos negligenciar o legado cultural dos Romanos , que de formas variadas acabaram por moldar a cultura ocidental.A primeira e talvez a mais importante contribuição dos Romanos está na Língua, o Latim se transformou na língua mãe que deu origem a vários idiomas; A língua Portuguesa , o Espanhol , O italiano e o Francês devem ao tronco latino a sua gênese.Outra espetacular contribuição de Roma para o mundo contemporâneo foi a criação dos códigos e Leis , ainda hoje em grande parte dos cursos jurídicos o direito romano é matéria obrigatória.Em suma podemos dizer que em todas as áreas da vida moderna podemos encontrar traços da cultura Greco-romana, suas civilizações lançaram formas de pensar e agir que se solidificaram com o passar dos séculos moldando a cultura e as bases do mundo ocidental
sábado, 14 de agosto de 2010
BIOGRAFIA - JUSCELINO KUBITSCHEK
Juscelino Kubitschek de Oliveira Nasceu na cidade Mineira de Diamantina no dia 12 de setembro de 1902, sua vida poderia ser apenas mais uma triste história de um Brasileiro de origem humilde que não alcançou grandes façanhas, mas por força do destino ou por conta da enorme vontade de crescer que existia dentro dele o menino pobre e órfão aos três anos vai se transformar em uma das figuras mais importantes da Política nacional no século XX. O ano de 1905 foi trágico para Dona Júlia Kubitschek, a perda precoce do marido João césar de oliveira fez dela a única responsável por sustentar e educar os filhos Maria da conceição e Juscelino Kubitschek foram anos difíceis, onde com força e determinação ela trabalhou para não deixar faltar nada a Família. Como professora ela se dividia em dar aulas e educar os filhos, Juscelino teve seus primeiros ensinamentos com a Mãe. Em 1914 pensando na continuidade de seus estudos J.K entra para o seminário , único local de sua pequena cidade onde se podia cursar o ensino secundário, mas deixou claro aos responsáveis pelo local que sua vocação era o estudo e não a vida Religiosa.Estudou ali até os 15 anos , seus objetivos eram grandes demais para uma cidade acolhedora , porém modesta em recursos , sua maior vontade era estudar medicina e para isso ele precisa morar na capital mineira , em Belo Horizonte as possibilidades para um jovem sonhador eram maiores.Em 1919 com a viagem financiada pela Mãe Dona Júlia , Juscelino se inscreve em um concurso público para telegrafista em Belo horizonte , conseguir esse emprego era o meio que ele necessitava para custear os seus estudos na área médica.Com a divulgação do resultado o jovem Juscelino atinge a posição de 19º colocado se qualificando para uma vaga , mas a posse só ocorre em meados de 1921.O emprego público ajudou a realizar seu sonho de ingressar no curso de medicina de universidade federal de minas gerais no ano de 1922 , Juscelino batalhou muito pois se dividia entre o emprego e os estudos .A luta e o sacrifício foram compensados com a conquista de seu sonho , com a formatura em 1927 um leque de novas oportunidades se abria para ele.Na agita vida social de Belo horizonte Juscelino que com freqüência era visto em festas e bailes sempre bem alinhado, conhece aquela que anos depois viria a ser a sua esposa .Sarah Gomes de lemos era filha de Luisa negrão e Jaime Gomes de Souza lemos Ex- Senador e político influente no cenário político de minas Gerais. Namorar uma mulher de origem Rica lhe garantiu facilidades profissionais e antes de sacramentar o compromisso com o casamento ele parte para a Europa com o objetivo de cursar uma especialização na área de Urologia, sua estadia no velho continente lhe rendeu a oportunidade de estagiar em grandes centros como Paris, Viena e Berlim. No regresso ao Brasil ele se casa com Sarah Gomes em dezembro de 1931 e volta a medicar exercendo a profissão que tanto amava. Em 1932, Juscelino Kubitschek é convidado a trabalhar na Força pública de Minas gerais no corpo médico, e ali chegou a atuar na frente de batalha durante a famosa revolução constitucionalista de 32, chegando a executar inúmeras cirurgias em condições extremamente precárias. Terminada a sua participação no conflito JK volta ao trabalho e recebe o convite para disputar uma cadeira de deputado federal, até então ele nunca havia demonstrado interesse na vida pública no campo da política. Em 1934 Juscelino vence a disputa com um número de votos superior a soma de todos os seus adversários reunidos , uma vitória esmagadora de um estreante.Sua primeira decepção na política não demorou muito , pois em 1937 ele perde seu mandato em virtude do golpe desfechado por Getúlio Vargas que instaurou uma ditadura conhecida por “Estado novo” , partidos e candidatos foram cassados e JK foi um deles.Afastado do cargo de deputado federal ele volta a medicar e dessa vez decidido a não mais se envolver com política,porém um convite inesperado do interventor Benedito Valadares para Governar a Prefeitura de Belo Horizonte em 1940, põem diante de JK um novo e estimulante desafio.A frente da prefeitura ele promove uma era de desenvolvimento que transformou BH em uma das cidades mais desenvolvidas do estado de Minas gerais , sua gestão construiu Estradas , avenidas , canalizou córregos ,construiu pontes,Escolas, postos de saúde , um museu e o magnífico complexo da Pampulha projetado por Oscar Niemeyer .Em 1945 Juscelino deixa a prefeitura com elevados índices de popularidade pelo ótimo trabalho exercido na capital do estado, seu trabalho lhe rendeu uma nova vitória nas eleições para deputado federal.A carreira meteórico de JK na política parecia não ter limites , em 1950 ele parte para a disputa do cargo de Governador de Minas gerais e vence o pleito de forma esmagadora.sua posse em janeiro de 1951 também abria a possibilidade de uma dia chegar a presidência da república e JK tinha consciência que tal objetivo passava pela realização de um bom governo em Minas gerais. Disposto a não desapontar a grande massa que o elegeu Juscelino começa a trabalhar com claras intenções de fazer em esfera Estatal o que já havia realizado em Belo Horizonte. A frente do Governo, JK leva adiante sua política desenvolvimentista , estilo que marcou toda a sua carreira política , em um único mandato ele elevou a capacidade energética de Minas gerais, Incentivou a industrialização de regiões mais atrasadas do Estado,construiu 3000 km de novas Estradas , 251 pontes , Modernizou a agricultura e pecuária mineira , 120 postos de saúde além de 130 novas escolas garantindo ensino gratuito para milhares de crianças.Com tamanhas realizações seu nome ficou conhecido em todo o País o habilitando a disputar uma vaga na presidência da república pelo PSD , sua candidatura foi oficializada em fevereiro de 1955 , com o slogan “ 50 anos em 5” , Juscelino prometia ao povo Brasileiro que se eleito promoveria 50 anos de progresso em 5 anos de governo.No pleito eleitoral do dia 3 de outubro de 1955 JK sai de mais uma disputa com a vitória nas mãos, deixando para trás políticos como Juarez Távora e Plínio salgado.A vitória nas urnas esteve ameaça por uma tentativa de golpe liderada por integrantes da UDN(União democrática nacional), porém a legalidade foi mantida com a intervenção do general Teixeira Lott .Com a sua posse em 1956 JK da inicio ao trabalho de por em prática os planos ambiciosos prometidos durante a campanha,sua vida não seria nada fácil, principalmente por conta dos olhos atentos da oposição , mas vencer desafios foi uma constante na vida do homem que saiu de diamantina para chegar a presidência da República.De acordo com a sua política desenvolvimentista ele lança o plano de metas ,projeto ambicioso que pretendia por em prática a promessa de 50 anos de progresso , o projeto tinha seis grandes objetivos a serem atingidos até o final do mandato ; ENERGIA,TRANSPORTES,ALIMENTAÇÃO,INDÚSTRIA DE BASE,EDUCAÇÃO E A CONSTRUÇÃO DE BRASÍLIA.A construção de uma nova capital federal era sonho antigo da política brasileira e durante a república o projeto foi adiado várias vezes, coube a Juscelino transformar uma área inóspita do planalto central em uma das mais modernas capitais do mundo, Oscar Niemeyer deu forma a uma cidade de Arquitetura brilhante. A maior crítica que Juscelino recebeu nos seus anos a frente da presidência talvez tenha sido o esforço descomunal e as dívidas adquiridas na sua gestão para dar vida a construção de Brasília , projeto de proporções realmente Faraônicas como nunca antes visto no Brasil, porém a um custo elevadíssimo.Em janeiro de 1961 JK sede seu lugar a Jânio Quadros que havia vencido as eleições.Nos anos seguintes JK atuou no senado federal até que o golpe militar de 1964 veio a cassar o seu mandato e direitos políticos por 10 anos.Sua posição contrária aos militares que tomaram o poder acabou levando Juscelino ao exílio voluntario por 2 anos , onde preferiu palestras para sobreviver.Em 1967 de volta ao Brasil ele passou a se dedicar a sua fazenda no interior de Goiás e a escrever , trabalho que acabou lhe rendendo uma vaga na academia mineira de letras.A trajetória brilhante de Juscelino Kubitschek se encerrou em um trágico acidente no km 165 da rodovia presidente Dutra quando o carro que ele estava veio a se chocar de frente com uma carreta .Um acidente automobilístico sacramentou o fim de uma carreira política e profissional de um homem que não se rendeu as dificuldades da vida como todo bom Brasileiro.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
A Era Vargas
Se você quiser descobrir em parte quem foi Getúlio Vargas pergunte a um contemporâneo de seu governo e anote as impressões ouvidas, tenho certeza que entre discursos de amor e ódio, você encontrará a história de um Homem a frente de seu tempo, um Estadista que mudou a cara do Brasil, de leis trabalhistas a Petrobras, o legado varguista ficou para a posteridade. Getúlio Dornelles Vargas nasceu na cidade gaúcha de são Borja no ano de 1882, filho de família tradicional da região ingressou muito cedo na política de seu estado. Getúlio representava uma ala descontente com a política do café com leite, prática que vigorou no Brasil de 1898 a 1930, trata-se de um revezamento na presidência da república entre candidatos paulistas e mineiros. Essa manobra de manipulação eleitoral contava com o apoio dos poderosos coronéis que obrigavam populações locais a votar em canditados indicados por eles. Esse ciclo vicioso foi quebrado com a chamada revolução de 1930 que dentre outros contava com a participação de Vargas como um dos idealizadores, o movimento derrubou o presidente Washington Luís e evitou a posse de seu sucessor o Paulista Júlio Prestes. Na prática a revolução de 30 se tratou de uma troca de comando, saiu uma elite rural paulista para dar lugar a burguesia e militares que apoiavam a tomada de poder. Com a ascensão de Vargas ao cargo de Presidente nós temos o chamado governo provisório, período onde o fato de maior relevância foi a Revolução constitucionalista de 1932, São Paulo sem levantou em armas contra o governo Getúlio exigindo dele a elaboração de uma nova constituição para o Brasil, além de uma eleição democrática. Após alguns meses de combate os paulistas se rendem diante a superioridade numérica das tropas legalistas. Na tentativa de acalmar os ânimos Vargas convoca uma assembleia nacional constituinte para elaborar a nova carta constitucional tão exigida por todos. A Constituição ficou pronta em 1934, em vários pontos a nova carta magna foi revolucionária com a criação de algumas leis trabalhistas e o direito de voto para as mulheres, pela primeira vez na história os trabalhadores e a ala feminina da sociedade foram reconhecidos pela lei. Nessa mesma constituição Vargas se garantiu como presidente de maneira indireta até 1938, mas os acontecimentos seguintes comprovaram a sua clara intenção de se perpetuar no poder. O período constitucional da era Vargas vai de 1934 até 1937 , quando Getúlio da um golpe de Estado ,seus atos se basearam em um plano forjado intitulado Cohen, nele os comunistas tramavam mais vez contra a ordem instituída. Esse documento foi elaborado por militares a mando de Vargas , ele precisava de um argumento para se apoderar do poder já que a eleição prometida para 1938 estava prestes a acontecer.Na fase constitucional (1934-1937) o fato histórico de maior relevância foi os conflitos ideológicos entre a A.I.B (Ação integralista Brasileira)grupo de características fascistas liderado por Plínio Salgado e a A.N.L(Aliança nacional libertadora)grupo de tendência comunista sob a liderança de Luis Carlos prestes , idealizador da fracassada intentona comunista de 1935,tentativa frustrada de tomada de poder.O Estado novo é a fase ditatorial e Personalista da era Vargas , no período que vai de 1937 a 1945 , os partidos foram extintos , uma constituição de cunho fascista foi imposta e acabamos na guerra ao lado dos aliados após uma agressão nazista a embarcações brasileiras no nosso litoral.No entanto a participação da força expedicionária Brasileira na segunda guerra seu em virtude do financiamento norte americano para a construção da C.S.N , siderúrgica construída em volta redonda no Rio de Janeiro , com ela Vargas poderia fabricar o tão sonhado Aço nacional para a expansão industrial que ele pretendia.A guerra terminou em 1945,e junto com ela o governo Vargas , a contradição inerente a participação do Brasil no conflito acabou minando as bases do apoio que sustentavam Getulio no poder , lutamos contra o nazifascismo de Alemanha e Itália , apoiando os governos democráticos de França , Inglaterra e Estados unidos sendo que aqui vivíamos uma pesada ditadura imposta pelo estado novo. Com a Saída de Vargas um antigo aliado governou de 1946 a 1950, o General Eurico Gaspar Dutra participou do processo que culminou com o fim do estado novo, sua admisnitração foi marcada por uma forte invasão de multinacionais e investimentos externos, em contexto de guerra fria a sua posição foi perseguir os partidos e políticos de tendência comunista que atuavam em solo Brasileiro. Em 1950, Getúlio vence o processo eleitoral e pela primeira vez chega à presidência por vias democráticas, essa última fase de sua longa história a frente do executivo foi marcada por um forte tom populista no discurso e na ação. Maduro e calejado das mazelas de governar um país com tantos problemas um Vargas renovado abraçou a causa nacionalista e da não dependência do Brasil em relação ao capital internacional. Criou a Petrobras e de cara comprou uma feroz batalha com a UDN que defendia a privatização da mesma , com a campanha "O petróleo é nosso " , ele buscou apoio popular para manter a empresa com capital e administração nacional.Nesse período ele também autorizou um aumento de 100% no salário mínimo , como forma de garantir as perdas salariais da classe trabalhadora que sofreu por 4 anos com o arrocho promovido pelo presidente Dutra.Tais medidas eram idolatradas pelo povo , porém despertava a ira de grande parte da elite e trazia para Getúlio uma gama cada vez maior de inimigos , dentre eles o incansável Carlos Lacerda , membro da UDN e ferrenho opositor do governo populista de Vargas.Na madrugada do dia 5 de agosto de 1954 Lacerda foi vítima de uma emboscada na porta de sua casa em Copacabana na rua toneleros , a guarda pessoal de Getúlio tentou calar a principal oposição que o presidente sofria , no episódio em questão um Major da Aeronáutica acabou morto.Após essa tentativa de assassinato Lacerda radicaliza o discurso pedindo a saída de Vargas , com acusações veladas de corrupção , os militares também não davam descanso ao presidente exigindo a sua saída imediata do poder.No dia 24 de agosto de 1954 , o povo Brasileiro se viu diante de uma das noticias mais tristes de sua história , Getúlio Vargas cometera suicídio com um tiro no peito , as pressões eram enormes e como ele mesmo havia prometido que do poder ele só sairia morto.O homem que dedicou grande parte de sua vida ao povo que ele apesar dos pesares tanto amou estava morto , mas não sem antes deixar uma ultima mensagem ao seu povo ........"E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História."
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